Capitalismo consciente

O dinheiro a serviço do bem do mundo

Durante toda a história da humanidade, o conflito entre capital e trabalho foi o principal causador de intrigas, injustiças e até de guerras. Por causa do lucro a qualquer preço, muitos países e empresas causaram grandes injustiças sociais ao longo da história. Haja vista o quanto a natureza está agredida, o quanto abusaram do meio ambiente e quanta miséria espalhada mundo afora. Ultimamente, vários governos e muitos empresários têm buscado humanizar o capital, cuidando melhor do ser humano que produz a riqueza e mais preocupados com o meio ambiente. A preocupação de tornar o capital mais responsável levou à criação de uma nova cultura capitalista chamada de Capitalismo Consciente. Desenvolvida e divulgada pelo Indiano Rajendra Sisodia, professor de marketing e negócios na Universidade de Bentley, na Cidade de Boston, EUA, ele acabou se tornando guru de muitos empresários adeptos dessa cultura.

Segundo Sisodia, Capitalismo Consciente é uma abordagem um pouco diferente da tradicional, que diz que o capitalismo é apenas fazer dinheiro e ter lucros. É um conceito com propósitos mais profundos.

O capitalismo consciente se baseia em quatro pilares:

1º – O propósito elevado: tem a ver com fortes valores, que vão além do lucro e inspiram, envolvem e energizam o empresário, seus colaboradores, fornecedores e consumidores engajados, a se responsabilizar pela melhora da sociedade e do planeta.

2º – Cultura consciente: ações inspiradas pelo amor, criando uma relação de confiança entre a equipe da empresa e seus investidores, baseada na confiança, integridade e transparência.

3º – Liderança consciente: o papel do líder é servir ao propósito da organização e buscar o que há de melhor em seus colaboradores para promover transformações positivas e agregar valor para consumidores e investidores e a comunidade onde a empresa está instalada.

4º – Maximizar os retornos para os “stakeholders”, ou seja, todas as pessoas envolvidas com o negócio – colaboradores, consumidores, comunidade, governo e investidores. Gerando valor para todas as partes, formando uma empresa forte, saudável e sustentável.

A Unilever é uma das adeptas dessa nova cultura. Paul Polman, um de seus executivos, surpreendeu o público presente no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, ao apresentar as metas para a próxima década de sua organização: – diminuir pela metade sua poluição ao meio ambiente e adquirir toda matéria prima agrícola, de pequenos produtores. Irá cadastrar meio milhão de pequenos fazendeiros ao redor do mundo, a fim de dar sustentabilidade aos mesmos, capacitando-os a produzir todos os produtos de sua necessidade, criando uma parceria sólida. “Isso vai significar mais geração de emprego e renda e garantir um futuro mais seguro para as pequenas comunidades rurais”, concluiu o executivo.

No Brasil já existem vários empresários adeptos dessa cultura, isso nos faz acreditar que o futuro do Brasil e do mundo vai ser muito melhor. Acredito, inclusive, que essa é uma das melhores alternativas para se combater a atual crise brasileira. Essa cultura é baseada na antiga lei da natureza, a lei do retorno: o mundo nos dá de volta tudo que colocamos nele.

por José Osvaldo de Oliveira

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