O Poder da Simplicidade

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Sempre fui muito curioso, aprender coisas novas é algo que me fascina e me move. Acabei de encerrar um curso muito interessante com o título de “Alinhamento Energético”, em síntese, ensina como alinhar nossa intuição e energia com o campo energético de outra pessoa a fim de ajudá-la em suas buscas de melhorias. Ao retornar para casa, fiz o caminho mais longo e demorado. Viajei de ônibus para várias cidades até chegar ao meu destino. Quis estudar as pessoas que encontrava na viagem, analisar seus estados emocionais, suas frustrações e buscas. Dentre as experiências maravilhosas, uma me marcou mais. Viajei de circular por mais de duas horas, vendo as pessoas entrarem e saírem. Eram todas pessoas simples, de classes populares, cada uma com suas limitações e motivações. Umas mais falantes, falando de suas vidas, amores frustrados, desilusões e ilusões, outras mais contidas, mergulhadas em seu mundo interno. Estava atento a tudo.

À minha frente estava um jovem, de cerca de 20 e poucos anos, pele negra, mal vestido, uma tatuagem no braço, boné virado para trás, semblante fechado, olhar para o chão. Fiquei atento àquele jovem, aplicando o que havia aprendido, fazendo leitura do que vinha de sua comunicação não verbal e de seu campo magnético, era um misto de dor, ousadia, frustração e vontade de vencer. Quando entrou, buscou com seu olhar sombrio um lugar para se sentar, todos ocupados, exceto um acento bem ao lado de uma jovem bonita e descontraída. Timidamente, assentou-se ao lado da jovem, mantendo uma distância da mesma, como se quisesse pedir desculpa por incomodá-la ao assentar do seu lado. Durante toda a viagem permaneceu calado, evitando sequer olhar para a jovem, que também estava desconfortável com sua presença. Mas o mais surpreendente aconteceu quando entrou um outro jovem mais adulto, sorriso no rosto, bonezinho surrado na cabeça, olhava para todas as pessoas à sua volta e com um sorriso encantador cumprimentava a todos. O interessante é que a maioria das pessoas ali, o conhecia e o chamava pelo nome. Logo notei que se tratava de uma pessoa com atraso mental, várias pessoas se alternavam nos mais variados assuntos com aquele homenzinho. Ele por sua vez, atendia a todos com seu sorriso e suas respostas desarmadas e cheias de pureza. Dele irradiava uma luz contagiante, que afugentou a nuvem negra que envolvia o outro jovem, que também se interessou pelos assuntos do Luiz, nome fictício que dei ao jovem sorridente: -Luiz para simbolizar a luz que emanava de sua áurea e transformava todo aquele ambiente. Ele não tinha nenhum atrativo, não era bonito, seus dentes eram mal cuidados, apesar do sorriso contagiante, sua simplicidade revelava uma grandeza de alma que tornava gentil o mais estúpido dos homens. Ali estava alguém sem preconceito, sem medo de ser quem era. Notei que são essas coisas que tornam as pessoas tão complicadas e mal resolvidas. Nossos preconceitos, autocríticas agressivas, culpas e mágoas, medo de não ser aprovado, arrogância na disputa por sermos melhores do que os outros é que tornam a vida tão complicada. O Luiz me ensinou que o melhor jeito de cativar as pessoas é libertar-nos de preconceitos, desarmar o coração e praticar a sensatez. Deixando aflorar a simplicidade encantadora, que todos nós carregamos em nosso eu mais profundo. “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus…”

por José Osvaldo de Oliveira

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